Arte e Natureza no espaço urbano

Arte e Natureza no espaço urbano

terça-feira, 15 de abril de 2014

Um texto simples e exemplar, para refletir, numa cooperativa agrícola

Há poucos dias fui surpreendido, na Cooperativa Agrícola da Maia.
Com efeito, logo à entrada das suas instalações - um moderno pavilhão, afeto à armazenagem e venda de produtos e materiais diversos destinados, sobretudo, ao setor agropecuário - uma placa evocativa da sua inauguração leva-nos refletir sobre aquilo que sente (e manifesta publicamente) a comunidade produtora do concelho da Maia: orgulho nas suas raízes e tradições rurais, a par da valorização do esforço coletivo, entendido como essencial à transformação dos sonhos em realidade.
Uma verdadeira lição de vida.
Placa evocativa da inauguração das instalações da Cooperativa Agrícola da Maia, em 20.09.09. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hortas Urbanas I

Parece-me que as hortas urbanas (designadamente, as comunitárias) - essa (re)nova(da) forma de ligação à terra - estão aí para ficar.
...E é ver os novos agricultores citadinos, cheios de dores nas costas, com bolhas nas mãos, algo desajeitados no manuseamento das alfaias e, sobretudo, muito dependentes dos ensinamentos obtidos nos cursos de agricultura biológica, recordados com regularidade através da leitura atenta dos manuais aí fornecidos.
São estes, seguramente, os mais recentes adeptos da ruralidade.
À sua maneira, defendem a tradição agrícola de um país que, por vezes, parece ter uma necessidade efetiva de recuperar vivências ancestrais. E são felizes, como seria de esperar.
Junto-me a eles, literalmente, pela razão e pelo coração.
Não posso deixar de aproveitar este espaço virtual para destacar o nome daquele que é, indiscutivelmente, o percursor de uma luta diária, travada desde há anos contra o primado do betão e do cinzentismo das áreas urbanas: Gonçalo Ribeiro Teles, Arq.º Paisagista e ex-político, atualmente com 91 anos muito lúcidos. 
Uma horta urbana: exemplo de uma feliz integração no meio envolvente.
Pormenor dos talhões atribuídos a cada agricultor biológico "amador", dispondo de um compostor. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

O antigo Sanatório das Penhas da Saúde, doravante a Pousada da Serra da Estrela

O dia de hoje deverá ficar na memória de todos quantos conhecem e amam a Serra da Estrela.
Após mais de três décadas de sujeição a um deprimente abandono, um edifício (outrora) imponente, verdadeiramente emblemático e detentor de um passado de prestígio, recupera a sua dignidade, expondo-se "ao mundo" de forma merecidamente orgulhosa.
Refiro-me a um edifício magestoso, projetado na década de 20 do século XX pelo Arq.º Cottinelli Telmo, sob encomenda da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. O mesmo, localizado no sítio designado por Porta dos Hermínios (a escassos 5 Km das Penhas da Saúde e a idêntica distância da Covilhã) e implantado a uma altitude de 1200 metros, demoraria 8 anos a ser construído (decorrendo a respetiva empreitada entre 1928 e 1936).
Os bons ares da montanha - bem como a tranquilidade e a invulgar beleza paisagística deste local, devo acrescentar - justificaram a opção pela construção deste edifício, funcionando o mesmo, desde então, como Sanatório, para tratamento da tuberculose, dos funcionários da empresa ferroviária nacional.
Estas instalações seriam posteriormente arrendadas à Sociedade Portuguesa de Sanatórios, passando a receber, também, doentes encaminhados pela Assistência Nacional aos Tuberculosos. Permaneceu ao serviço desta causa durante mais de 40 anos, tendo encerrado as suas portas em 1969. Permaneceriam (residentes) no local dois funcionários, zelando pelas instalações desativadas e acautelando a sua efetiva segurança, face aos riscos, sempre presentes, de intrusão e/ou roubo dos diversos materiais que o edifício albergava.
Após 1974, o edifício acolheu mais de 700 retornados das ex-colónias portuguesas, tendo-se mantido habitável e razoavelmente preservado durante vários anos.
Nos anos 80, atingida a idade de aposentação dos 2 funcionários que aí residiam, o antigo Sanatório ficaria definitivamente abandonado. O tempo - e, sobretudo, muitos visitantes mal intencionados - seriam responsáveis por um intenso processo de degradação deste edifício. A par, obviamente, de algumas entidades com ligações a este longo e lamentável processo de titularidade e gestão do imóvel.
No final da década (de 80), a Turistrela toma posse do edifício, não concretizando, todavia, quaisquer obras de recuperação do mesmo, já então ansiosamente aguardadas pela população local, pelas autarquias da região e por outras entidades, particularmente atentas e interessadas na recuperação do Património e na rentabilização do seu potencial, a vários níveis.
Em 1998, o edifício foi vendido à ENATUR - pelo preço símbolico de 1 escudo - perspetivando-se a sua posterior transformação em Pousada, mediante um projeto concebido pelo Arq.º Souto Moura. No entanto, não seria dado seguimento, de imediato, à ambicionada obra.
Perspetiva do edifício do antigo Sanatório "dos Ferroviários", em estado de abandono.
Foto retirada de http://hollywool.blogspot.pt
Pormenor das varandas do primeiro piso, na fachada frontal do edifício.
Foto retirada de http://ruinarte.blogspot.com
Com efeito, só quando a ENATUR foi absorvida pelo Grupo Pestana, em 2003, é que seriam dados passos "mais seguros" no sentido da concretização da tarefa imensa e dispendiosa de transformação do antigo Sanatório em Pousada. O projeto agora implementado foi, como "previsto", do Arq.º Souto Moura, detentor de reputados prémios nacionais e internacionais.
Ao cabo de mais de três anos de obras (iniciadas em 2011), o imponente edifício de 5 pisos e 160 metros de fachada renasce, a partir do estado de  abandono e ruína a que havia sido votado.
Ganham a região e o País, tal como o Património e o turismo.
E ao Grupo Pestana deve ser reconhecida a ousadia da iniciativa, que só pecou por tardia. Espero - tenho que o afirmar - que esta nova unidade hoteleira concretize um caso sucesso empresarial.
Muito gostarei de (re)visitar o interior do edifício. Sei, no entanto, que, desta vez, terei que pagar para desfrutar da sua graça e requinte. É justo.
Já passaram bastantes anos desde que percorri o imóvel "de uma ponta à outra", deixando-me perder na sua vastidão e encantar pela riqueza de alguns detalhes da sua arquitetura e elementos decorativos.
Pousada da Serra da Estrela (fachada frontal, após recuperação do edifício).
Foto retirada de http://www.pousadas.pt 
Pousada da Serra da Estrela (pormenor do lobby, no piso 0)
Foto retirada de http://www.pousadas.pt 

sexta-feira, 28 de março de 2014

28 de março, Dia Nacional dos Centros Históricos

Celebra-se hoje - dia 28 de março - (e desde 1993) o Dia Nacional dos Centros Históricos.
Esta data evoca o nascimento de Alexandre Herculano (Lisboa, 1810 - Santarém, 1877), patrono da efeméride: escritor, historiador, jornalista, poeta e, muito especialmente, um defensor assumido e convicto do património histórico e edificado português.
Este dia deve levar-nos a refletir, muito particularmente, sobre as questões afetas às diversas intervenções projetadas e/ou concretizadas no âmbito da recuperação imobiliária, da dinamização cultural, do desenvolvimento social ou, numa perspetiva mais abrangente, sobre a necessária revitalização dos Centros Históricos dos municípios portugueses.
Assim, hoje e sempre, visitem-se os monumentos aí existentes, percorram-se as ruas mais antigas e emblemáticas das diferentes localidades e desfrute-se das atividades de "descoberta" do Património que são propostas por diversas entidades (públicas e privadas).
..."Sinta-se a História", patente em cada pedra secular, sabiamente talhada pelo saber fazer da mão humana.
Símbolo identificativo do "Património Mundial", exibido nos locais / áreas classificadas como tal pela UNESCO.
 Foto obtida no Centro Histórico do Porto (no pavimento do Terreiro da Sé).

sábado, 8 de março de 2014

Símbolos de Portugal...em saquetas de açucar

Há muitos meses que venho comentando, "aqui e acolá", "com uns e com outros", o bom gosto evidenciado e, sobretudo, o interessantíssimo contributo prestado à causa da divulgação do Património, por parte da empresa RAR Açucar.
Com efeito, durante o ano de 2013, nas várias "pausas para café" que vínhamos fazendo ao longo do dia, íamos sendo agradavelmente surpreendidos, em diferentes espaços comerciais do ramo da restauração, com a disponibilização de saquetas de açucar, produzidas pela RAR, contendo informação impressa (imagem e texto) referente àqueles que poderão ser rotulados como efetivos símbolos de Portugal, porquanto verdadeiros ícones do nosso país, sejam eles para se visitar, apreciar, experimentar, adquirir ou consumir (ou, mais objetivamente, saborear e "chorar por mais"...).
No sítio da internet da marca em causa, são apresentadas as razões que levaram a empresa a levar a cabo esta missão pertinente: prestar uma homenagem "à cultura e tradição nacional, passando em revista os mais conhecidos ícones, costumes e lendas nacionais...". Ainda segundo a empresa, esta edição especial de saquetas de açucar proporcionará "uma rápida e doce viagem no tempo, um regresso às origens, às festas populares, à família, à tradição e até à infância. Dos azulejos à filigrana, passando pelos coretos, pelo Galo de Barcelos e até mesmo pelo Zé Povinho, está quase tudo aqui.".
...Concordo, felicito a empresa pela iniciativa e deixo o apelo a que "outros" também procurem fazer algo mais pela divulgação daquilo que de melhor temos por cá.
Pela minha parte, prefiro e consumo, sempre que possível, produtos nacionais.

Deixo aqui algumas imagens da coleção de 30 saquetas dos Símbolos de Portugal.
E, já agora, estejamos atentos ao lançamento de iniciativas afins.
A coleção completa dos "Símbolos de Portugal" - 30 saquetas, 30 imagens, 30 textos
Dois exemplos de saquetas: Vinho do Porto e Espigueiro.
Aqui destacadas, porque a minha terra natal e o Minho "me dizem muito"...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A propósito d' Os Homens dos Monumentos

A indústria cinematográfica tem a capacidade de surpreender, recorrentemente, quer os cinéfilos mais convictos e exigentes, quer o espectador ocasional de uma qualquer produção da 7.ª arte. Por motivos vários, integro-me (mais) neste segundo tipo de apreciadores de cinema.
Não posso deixar de registar - ou, mais expressivamente, congratular-me - com a apresentação recente, nas salas de cinema mundiais, de um filme bem conseguido, fazendo jus a uma peculiar brigada militar, surgida durante a Segunda Guerra Mundial, composta por uma escassa "meia dúzia" de homens, com o objetivo primordial de reaver as obras de arte que haviam sido saqueadas pelos nazis durante os anos da guerra e, subsequentemente, devolvê-las aos respetivos donos. E esta seria, pois, na essência, a sua nobre e oportuna missão.
Nobre, porquanto pretendia salvaguardar alguns dos mais representativos tesouros artísticos da Humanidade; oportuna, porque o seu êxito dependia, em grande parte - como se compreenderá - da rapidez com que a mesma fosse concretizada, considerando-se os  riscos efetivos de perda do paradeiro das várias obras de arte roubadas (por "encomenda" de Hitler) e/ou a sua destruição efetiva, se não se atuasse, "no terreno", no mais curto espaço de tempo.
Seguramente que, em muitos outros contextos e teatros de guerra, terá feito falta a criação de unidades militares como esta - a evocada no filme - assumidamente imbuídas de preocupações culturais, designadamente, de natureza patrimonial.
Regista-se, todavia, a exiguidade dos meios afetos a missão em causa.
Por outro lado, no entanto, fica bem patente a convicção e o empenho dos protagonistas, em concluir com sucesso a tarefa de que foram incumbidos. Custe o que custar...
Sim, porque as batalhas da preservação do Património, por vezes, são travadas sem "armas" suficientes, como todos sabemos...

Aqui fica, pois, o trailer do filme que recomendo: "The Monuments Men". Num cinema à sua espera.


Em alternativa, o respetivo link.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Divagações sobre um caramanchão...

Um caramanchão constitui uma elemento arquitetónico peculiar, simples na sua conceção e outrora relativamente comum em determinados espaços ao ar livre - quer públicos, quer privados - tendo tanto de decorativo, quanto de funcional (se é que se lhe pode atribuir especial serventia...). Podendo revestir-se de vegetação diversa - com predomínio para determinadas espécies arbustivas e trepadeiras - são (eram...) construídos ora em pedra, ora em ferro, cimento ou madeira. Servem (serviam...) para proporcionar um local aprazível para recreação, descanso, abrigo ou encontro(s)...
Os "ditames do progresso" levaram a que tais elementos, próprios de outros tempos - esses sim, plenos de romantismo e, seguramente, marcados por outros ritmos e quotidianos bem mais salutares - fossem gradualmente banidos das nossas paisagens. Restarão uns quantos (?) exemplares bastante dispersos, ora mais escondidos, ora mais maltratados.
As imagens aqui apresentadas expõem um interessante caramanchão - pouco utilizado, como quase todos - existente na antiga Quinta de Cima (lugar da Igreja Velha, S. Mamede de Infesta), posteriormente conhecida por Quinta de Honório de Lima, já que o seu mais afamado proprietário foi Eduardo Honório de Lima (1856-1939), figura prestigiada da cidade do Porto, comerciante e industrial proeminente e apreciador das artes e do bel canto.
Neste espaço se viria a instalar posteriormente o Parque Urbano de S. Mamede de Infesta e, ainda, um complexo de piscinas municipais.
E o caramanchão "lá está", no extremo do seu parque de estacionamento automóvel e atrás de um extenso conjunto de painéis solares fotovoltaicos.
Perspetiva geral do caramanchão, com estrutura em cimento armado, assente numa base hexagonal de pedra e cimento. 
Pormenor da base do caramanchão e do pequeno "trilho" que o circunda, de inclinação suave, permitindo aceder ao seu interior.