Arte e Natureza no espaço urbano

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domingo, 3 de agosto de 2014

O "Crochet Sai à Rua": uma moda "viral" em Vila Nova de Cerveira, a Vila das Artes

Vila Nova de Cerveira expõe neste momento - e durante algum tempo mais (...) - um novo motivo para ser visitada e merecidamente apreciada, em cada um dos seus recantos, ruas e praças. 
Muitos dos seus edifícios, elementos de mobiliário urbano, estatuária e árvores diversas, apresentam um apreciável conjunto de peças elaboradas em crochet, na sua maioria coloridas, que as (re)vestem com surpreendente elegância e originalidade. Como só poderia ser, aliás, numa vila como esta!...
Tudo começou no âmbito da resposta coletiva dada com entusiasmo ao desafio lançado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, por ação do seu serviço de Turismo: o de cobrir alguns troncos de árvore com peças em crochet, no intuito de chamar a atenção de todos quantos passam pelo centro histórico da vila para a realização da BIA - uma mostra, bienal, de artes e ofícios tradicionais. 
Neste contexto, diversas instituições - públicas e privadas - comerciantes e habitantes locais, entre outros, empenharam-se de forma notável na conceção e aplicação dos muitos elementos produzidos em crochet e que agora embelezam a sempre simpática vila minhota, num processo absolutamente "viral", que não deixa ninguém indiferente e anima qualquer fotógrafo de ocasião. 
Ficam aqui algumas imagens obtidas no local,  num modesto contributo para a divulgação e preservação daquela laboriosa tradição secular, assim exposta publicamente.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, ostentando as
suas novas "roupagens estivais" 

Árvores revestidas com crochet, no Jardim do Auditório Municipal
de Vila Nova de Cerveira (Rua 25 de Abril)

Peça escultórica de José Rodrigues ("Esforço"),
expondo revestimento em crochet

Rua Queiroz Ribeiro, integrando peças em crochet
combinadas com os seus já conhecidos guarda-chuvas
coloridos

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A "quase" Capela do Espírito Santo

Ocasionalmente, os elementos patrimoniais arquitetónicos que se expõem "aqui e acolá" levam-nos a questionar "milhentas" coisas: Quem determinou a sua construção? Quem ou que entidade os pagou? Com que objetivo(s) foram construídos? Quem os ergueu? Que funções e relevância tiveram? Quais as razões do estado em que se encontram? Qual poderá ser o seu futuro?... 
Esta breve introdução justifica-se - para mim, bem entendido - pelas interrogações (e - devo confessá-lo - pela profusão de sentimentos, até) suscitadas pela visita às ruínas daquela que é (sem nunca o ter chegado a ser, segundo se afirma) a Capela do Espírito Santo, implantada a meia encosta da Serra da Gávea, a escassos 10 minutos do Centro Histórico de Vila Nova de Cerveira. 
Dela subsistem, apenas e objetivamente, o pórtico de entrada, na sua fachada frontal, e dois curtos alinhamentos em pedra granítica, indiciando as suas paredes laterais nunca erguidas. Juntos, emprestam uma enigmática beleza ao local, convidando à reflexão sobre o carácter efémero das coisas e sobre as vicissitudes da vontade dos Homens. 
Sobre este local, diz-nos o Professor Doutor Carlos Brochado de Almeida: "...numa das curvas da montanha, sobranceiro à vila, lá está o Monte do Espírito Santo com o portal da capela, nunca concluída, e vestígios de uma ocupação que remontará à Idade do Bronze..."
Com efeito, observadas a partir da vila - "cá" em baixo, junto ao rio Minho - as ruínas da capela e, particularmente, o pórtico que nelas se destaca, definem a silhueta da serra e despertam a curiosidade de muitos. 
No local - com uma vista soberba sobre o rio e o mar, ao longe - despertam em alguns a vontade de aí ficar algum tempo e, porventura, aguardar o pôr-do-sol. Entendemos porquê. 
Capela do Espírito Santo: perspetiva do exterior; fachada frontal. 
Capela do Espírito Santo: perspetiva do "interior". Ao fundo, o Rio Minho e Espanha. 
Capela do Espírito Santo: pormenor da cantaria;
inscrições nas pedras que definem o ângulo sul da fachada frontal. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um "poço" temporariamente exposto em Lovelhe (V. N. de Cerveira), no verão de 2008

O mês de agosto de 2008 decorria normalmente... As férias estivais convidavam a privilegiar atividades ao ar livre. Numa caminhada pelos trilhos existentes no Monte da Senhora da Encarnação, bem perto da pequena fortificação, de corpo central circular, aí existente, no Alto do Lourido (freguesia de Lovelhe, concelho de V. N. de Cerveira) - com a designação de Atalaia de Lovelhe - um abatimento recente do terreno, junto a um caminho de terra batida, viria a expor aquilo que se afigurava ser um poço, embora sem água.
As medições efetuadas com apreciável rigor, através da abertura então surgida no solo - com cerca de 50 cm de diâmetro, entre pesados e instáveis blocos de rocha granítica - definem um "poço" de secção retangular, com 1,20 m por 2,00 m, aproximadamente, e com 13 metros de profundidade. Todas as faces / paredes verticais deste "poço" eram de rocha relativamente lisa (manifestamente, trabalhada por mãos experientes, com recurso a instrumentos apropriados para o efeito), sendo que, nas faces correspondentes à sua largura (como se referiu, com cerca de 2 metros), se identificavam múltiplos entalhes, alinhados verticalmente, da superfície (solo) até ao fundo, espaçados por uma distância regular de cerca de 35 cm entre si. Tais orifícios eram simétricos, entre duas paredes opostas. Os mesmos pareciam corresponder a encaixes de uma qualquer estrutura outrora aí existente, designadamente uma escada, eventualmente de madeira, possibilitando o acesso ao fundo deste "poço". O mesmo está localizado a sensivelmente 120 m da Atalaia.
Algum tempo depois, a CMVNC - entretanto, posta ao corrente da "descoberta" ocasional - optaria por ocultar o "poço" (ignorando-se, até, se o terá atulhado)... Por razões de segurança, claro...

As fotos seguintes - com a qualidade possível, em função dos meios então disponíveis - ilustram os elementos descritos neste texto.

Qual seria a origem (época e autoria) e função do "poço" exposto? Fica a interrogação...

Perspetiva da entrada do "poço", evidenciando o
abatimento / queda de pedras de apreciável dimensão
Perspetiva da entrada do "poço", após o
abatimento do terreno, à superfície do solo



 
Perpetiva da entrada do "poço" (pormenor)

Perspetiva da entrada do poço

Perspetiva dos entalhes existentes na(s) parede(s) do "poço",
concebidos desde o nível da superfície do solo, até ao seu fundo