Arte e Natureza no espaço urbano

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terça-feira, 1 de julho de 2014

"Diplomacia": de novo, a II Guerra Mundial, com a temática do Património em "pano de fundo"

Merece(-me) alguma reflexão um filme bem concebido, evocando um episódio verificado hipoteticamente durante a II Guerra Mundial. A obra em causa terá passado de forma algo despercebida nas salas de cinema portuguesas. Nela se cruzam as questões éticas, o respeito e a obediência à hierarquia (decorrente, como se depreende, da exigente condição militar) e, expressivamente, as refinadas artes diplomáticas, tão delicadas quanto necessárias em contexto de guerra. 
O enredo do filme reporta-nos ao mês de agosto do ano de 1944 e à França ocupada pelas forças nazis (desde o ano de 1940). Enquanto que o exército aliado prepara a sua marcha em direção a Paris, o general alemão que governa a cidade - Dietrich von Cholitz - prepara-se para concretizar as ordens recebidas diretamente de Hitler, no sentido de destruir a capital francesa. Nesse sentido, as pontes sobre o Sena, o Palácio (e Museu) do Louvre, a Catedral de Notre Dame, a Torre Eiffel e diversos outros monumentos são armadilhados pelas forças ocupantes, perspetivando-se a sua destruição próxima. 
O cônsul sueco - Raoul Nordling - encontra-se então com von Cholitz no sentido de o demover de executar as ordens insanas de Hitler, potencialmente conducentes à morte de inúmeros inocentes, bem como à perda irreparável de alguns dos mais relevantes e emblemáticos monumentos da Humanidade. 
Aborda-se assim, de novo (à semelhança do verificado em "Os homens dos monumentos"), a questão - nem sempre valorizada - da gravidade e irreversibilidade dos danos patrimoniais associados às operações de guerra. Como todas as partes beligerantes deveriam saber (leia-se "respeitar"), nem todos os fins justificam os meios... 
Sendo verdade que o encontro entre os protagonistas do filme é ficcionado, não menos verdade será o facto de situações de tal natureza não serem inéditas, sendo conhecidas do público, não raras vezes, somente muitos anos após a sua ocorrência. Para que tal aconteça, aliás, tanto contribui o trabalho dedicado e exaustivo dos mais reputados historiadores quanto (embora mais ocasionalmente) os "frutos do acaso" ou as "revelações" tardias de alguns dos intervenientes diretos em distintos episódios de guerra. 
...Voltando ao filme: vejam-no, se puderem (já que, tendo estreado em Portugal a 24 de abril, já saiu das salas de cinema). 
Para despertar a curiosidade e o interesse no filme, deixo o respetivo trailer, legendado em português. 


Em alternativa, o respetivo link.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A propósito d' Os Homens dos Monumentos

A indústria cinematográfica tem a capacidade de surpreender, recorrentemente, quer os cinéfilos mais convictos e exigentes, quer o espectador ocasional de uma qualquer produção da 7.ª arte. Por motivos vários, integro-me (mais) neste segundo tipo de apreciadores de cinema.
Não posso deixar de registar - ou, mais expressivamente, congratular-me - com a apresentação recente, nas salas de cinema mundiais, de um filme bem conseguido, fazendo jus a uma peculiar brigada militar, surgida durante a Segunda Guerra Mundial, composta por uma escassa "meia dúzia" de homens, com o objetivo primordial de reaver as obras de arte que haviam sido saqueadas pelos nazis durante os anos da guerra e, subsequentemente, devolvê-las aos respetivos donos. E esta seria, pois, na essência, a sua nobre e oportuna missão.
Nobre, porquanto pretendia salvaguardar alguns dos mais representativos tesouros artísticos da Humanidade; oportuna, porque o seu êxito dependia, em grande parte - como se compreenderá - da rapidez com que a mesma fosse concretizada, considerando-se os  riscos efetivos de perda do paradeiro das várias obras de arte roubadas (por "encomenda" de Hitler) e/ou a sua destruição efetiva, se não se atuasse, "no terreno", no mais curto espaço de tempo.
Seguramente que, em muitos outros contextos e teatros de guerra, terá feito falta a criação de unidades militares como esta - a evocada no filme - assumidamente imbuídas de preocupações culturais, designadamente, de natureza patrimonial.
Regista-se, todavia, a exiguidade dos meios afetos a missão em causa.
Por outro lado, no entanto, fica bem patente a convicção e o empenho dos protagonistas, em concluir com sucesso a tarefa de que foram incumbidos. Custe o que custar...
Sim, porque as batalhas da preservação do Património, por vezes, são travadas sem "armas" suficientes, como todos sabemos...

Aqui fica, pois, o trailer do filme que recomendo: "The Monuments Men". Num cinema à sua espera.


Em alternativa, o respetivo link.