Arte e Natureza no espaço urbano

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quarta-feira, 13 de maio de 2015

FÁTIMA, cidade de devoção, santuário e altar do Mundo.

Algum dia teria que escrever sobre Fátima. Ninguém pode ficar indiferente à assombrosa expressão de fé e de devoção que Fátima evidencia ao longo do ano, particularmente entre os meses de maio a outubro, ao evocarem-se as aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos, ocorridas no ano de 1917. 
Seja-se ou não católico, não se poderá ignorar a extraordinária dimensão - física e espiritual - das peregrinações dirigidas ao santuário mariano aqui estabelecido. E isto será, também, seguramente, Património, Memória e Identidade. 
Os múltiplos testemunhos de peregrinos que, por esta altura, nos chegam a casa através dos mais diversos meios de comunicação social, permitem-nos, de certa forma, "tomar o pulso" a um país que - embora, talvez, já não tão "profundamente católico" - sabe agarrar-se como poucos às suas mais íntimas convicções. E, quanto à fé, cada um tem a sua. Um estudo recentemente divulgado, aliás, revelou que um pouco mais de 50% dos portugueses participa numa missa católica, pelo menos, uma vez por semana.
Devo "confessar" que também eu, que nunca fiz qualquer peregrinação a pé até Fátima, senti uma atmosfera especial, serena e apaziguadora, aquando das minhas ocasionais incursões ao santuário, em dias pouco frequentados por devotos e/ou turistas das mais distintas proveniências. 

Deixo-vos uma imagem do santuário, na sua noite maior, a do dia 12 de maio de cada ano, aquando da realização de uma das suas mais emblemáticas celebrações eucarísticas. 


E convido-vos, também, a escutarem o tema "Miraculosa Rainha do Céu", 
pela voz, absolutamente única e expressiva, de Isabel Silvestre.  

 


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A Romaria da Senhora D'Agonia, a "Rainha das Romarias de Portugal"

Cartaz oficial das Festas da Senhora da Agonia 2014
Estão aí as Festas da Senhora da Agonia, desta feita agendadas para os dias 20 a 24 de agosto. O programa deste ano é ambicioso e diversificado, como sempre tem sido, aliás. Viana do Castelo "não faz por menos", procurando manter a qualidade a que desde há muito nos habituou, no que diz respeito ao cartaz de iniciativas integradas na sua festa maior, com início no dia da Senhora da Agonia (celebrado a 20 de agosto), muito justamente tornado feriado local desde 1783. 
São milhares os residentes e forasteiros que se encontram nas ruas da cidade por estes dias festivos, marcando presença nos diversos eventos, quer religiosos, quer de índole "mais profana". A devoção à Senhora da Agonia ocorre desde o ano de 1751, após a entrada da respetiva imagem na Capela do Bom Jesus. Ao longo dos anos, o programa oficial destas festas viria a incluir cada vez mais componentes, tornando-se verdadeiro cartaz e símbolo da região, aliando a religiosidade e a tradição requeridas pelos romeiros a um amplo conjunto de elementos de raiz popular, mais do agrado dos foliões minhotos e dos muitos visitantes da região por esta ocasião. 
Diria que "há de tudo, para (quase) todos os gostos". 
Do programa das Festas deste ano, permito-me destacar a emblemática Procissão do Mar (dia 20), o Festival Náutico (dia 21), o Desfile da Mordomia (dia 22), o Cortejo Etnográfico (dia 23) ou, ainda, a Procissão Solene da Senhora da Agonia (dia 24). Mas muito mais há para ver, acreditem.  
... Se ainda não fomos, havemos de ir a Viana. Logo que possamos, claro está. 

Coleção de 20 pacotes de açucar, alusivos à Romaria da Senhora da Agonia, produzidos pela Delta Cafés (2014).
Uma das várias edições de pacotes de açucar que - desta como doutras empresas - têm contribuído para a divulgação de elementos patrimoniais diversos. Um exemplo a registar e a copiar. 

sábado, 5 de julho de 2014

Uma questão de bom gosto (...ou de falta dele), apenas.

O Santuário de Nossa Senhora do Sameiro afirma-se, legitimamente, como o segundo maior santuário mariano em Portugal (logo após Fátima). Ao longo dos anos, tem vindo a registar uma notável ampliação e beneficiação das suas instalações, procurando corresponder às diversas (crescentes?) solicitações que lhe são dirigidas. 
Uma das mais emblemáticas construções na envolvente da Basílica do Sameiro - porquanto elemento arquitetónico e religioso mais relevante existente no Santuário - é a denominada Casa das Estampas: um espaço inicialmente concebido para proceder à venda de recordações aos peregrinos e visitantes, acolhendo, ainda, atualmente, um interessante Museu, no qual se expõem peças de natureza diversa, detentoras de apreciável relevância artística e cultural. 
A Casa das Estampas beneficiou da concretização de obras diversas de remodelação - desenvolvidas em 2004 - contemplando estas , nomeadamente, algumas alterações no seu interior, bem como o restauro das suas portas e janelas e a pintura das fachadas. 
No ângulo noroeste do edifício (construído na primeira metade do século XX), sobre uma das suas antigas portas, pode observar-se um dos vários painéis de azulejo que nele se expõem, assumindo uma função mista, informativa e publicitária. 
Desativado tal acesso ao interior do edifício, viabilizou-se a colocação, no local, de uma máquina ATM (vulgo "caixa Multibanco"), com fisionomia do século XXI . A mesma não me parece "ligar" bem com a arquitetura do imóvel...por mais útil que seja o equipamento em causa (...e é). Será que só eu estranho tal opção de localização? Não "ficou muito bem no retrato" a Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, creio. A sensibilidade estética cultiva-se e deve ser valorizada. 
Estou certo de que, "por esse país fora", existirão "milhentas" situações afins. Por vários motivos, inevitáveis, como se depreenderá. 

Casa das Estampas, Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, Braga. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A "quase" Capela do Espírito Santo

Ocasionalmente, os elementos patrimoniais arquitetónicos que se expõem "aqui e acolá" levam-nos a questionar "milhentas" coisas: Quem determinou a sua construção? Quem ou que entidade os pagou? Com que objetivo(s) foram construídos? Quem os ergueu? Que funções e relevância tiveram? Quais as razões do estado em que se encontram? Qual poderá ser o seu futuro?... 
Esta breve introdução justifica-se - para mim, bem entendido - pelas interrogações (e - devo confessá-lo - pela profusão de sentimentos, até) suscitadas pela visita às ruínas daquela que é (sem nunca o ter chegado a ser, segundo se afirma) a Capela do Espírito Santo, implantada a meia encosta da Serra da Gávea, a escassos 10 minutos do Centro Histórico de Vila Nova de Cerveira. 
Dela subsistem, apenas e objetivamente, o pórtico de entrada, na sua fachada frontal, e dois curtos alinhamentos em pedra granítica, indiciando as suas paredes laterais nunca erguidas. Juntos, emprestam uma enigmática beleza ao local, convidando à reflexão sobre o carácter efémero das coisas e sobre as vicissitudes da vontade dos Homens. 
Sobre este local, diz-nos o Professor Doutor Carlos Brochado de Almeida: "...numa das curvas da montanha, sobranceiro à vila, lá está o Monte do Espírito Santo com o portal da capela, nunca concluída, e vestígios de uma ocupação que remontará à Idade do Bronze...". 
Com efeito, observadas a partir da vila - "cá" em baixo, junto ao rio Minho - as ruínas da capela e, particularmente, o pórtico que nelas se destaca, definem a silhueta da serra e despertam a curiosidade de muitos. 
No local - com uma vista soberba sobre o rio e o mar, ao longe - despertam em alguns a vontade de aí ficar algum tempo e, porventura, aguardar o pôr-do-sol. Entendemos porquê. 
Capela do Espírito Santo: perspetiva do exterior; fachada frontal. 
Capela do Espírito Santo: perspetiva do "interior". Ao fundo, o Rio Minho e Espanha. 
Capela do Espírito Santo: pormenor da cantaria;
inscrições nas pedras que definem o ângulo sul da fachada frontal. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Páscoa reinventada, na modernidade das Visitas Pascais

...Calma! Sei que a Páscoa, na sua essência, ainda é o que sempre foi e deve continuar a ser: um período de reflexão, de reconciliação e de alegria. Os católicos sentem-no de forma especial, como sabemos. As igrejas enchem-se de fiéis eventualmente mais arredados da eucaristia; os sacerdotes são mais solicitados para celebrarem o sacramento da Confissão; os crentes encontram uma motivação especial para se reconciliarem com todos aqueles com os quais se encontram desavindos...
A Visita Pascal - ou, simplesmente, o Compasso - constitui a expressão visível da alegria sentida cada ano, por esta altura, por todos os católicos, celebrando, em comunhão e em ambiente festivo, a Ressurreição de Jesus Cristo.
Tradicionalmente, a Visita Pascal percorria as diversas ruas das paróquias, entrando em cada casa cuja entrada exibisse um tapete, mais ou menos elaborado, composto por diferentes elementos vegetais: ramos e folhas verdes, flores, etc. Este visita, sempre aguardada, é realizada no domingo de Páscoa ou (sobretudo em meios rurais) na segunda-feira seguinte. Por vezes, na noite do sábado de Aleluia, o ribombar do fogo de artifício antecipa a festa que se viverá no dia seguinte.
Os últimos anos têm trazido alguma inovação à festa da Páscoa no nosso país e, em concreto, às Visitas Pascais. Padres, religiosos/as, acólitos e leigos, têm-se (re)organizado por forma a proporcionarem uma resposta mais efetiva às exigências dos tempos que correm e, muito particularmente, ao aparente comodismo e alheamento manifestado pelas populações de regiões e localidades distintas.
E, se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.
Com efeito, registam já alguma tradição as Visitas Pascais que percorrem alguns espaços e artérias comerciais, indo de encontros a todos quantos aí trabalham ou, enquanto clientes, aí fazem as suas compras.
Fui agradavelmente surpreendido pela primeira Visita Pascal - antecipadamente anunciada - efetuada no requalificado Mercado Bom Sucesso - Urban Concept, na cidade do Porto, na tarde do domingo de Páscoa. Estiveram bem o Pároco e os paroquianos da paróquia do Santíssimo Sacramento, dando mostras de vitalidade da instituição e de empenho na sua missão.
Início da Visita Pascal ao Mercado Bom Sucesso (20.04.14)
A Visita Pascal, percorrendo os espaços do Mercado Bom Sucesso e "dando a Cruz a beijar". 
Não posso deixar de fazer referência, também, a uma outra forma - mais "irreverente", até - de concretizar a Visita Pascal. Com efeito, este foi o sétimo ano, consecutivo, em que se realizou um "Compasso Motard", em Sintra, pelas ruas das paróquias de Pero Pinheiro e de Montelavar. E foram dezenas as motos - potentes e ruidosas - que animaram os lugares atravessados, na tarde do domingo de Páscoa.
O "Compasso Motard" (foto da edição 2011, retirada de http://jregiao-online.webnode.pt)