Arte e Natureza no espaço urbano

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Questão de pormenor ou erro de palmatória?

Eu prezo muito a língua portuguesa. Respeito-a e procuro não ser apanhado em falta neste domínio. 
Concordarão, no entanto, que, dependendo - entre muitos outros fatores - das funções exercidas por cada indivíduo, sejam eventualmente expectáveis e/ou toleradas algumas incorreções quanto ao uso da língua, nas suas vertentes oral e escrita. Inclusive da língua materna. 
Não concebo, todavia, que um anúncio de cariz oficial / institucional contenha um lamentável erro ortográfico, como aquele que adiante apresento. 
Com efeito, o painel informativo referente à execução de obras de reabilitação de uma escola do primeiro ciclo de S. Mamede de Infesta apresenta o seguinte texto: "INVESTIMENTO ILEGÍVEL  1 623 467,91 Euros"...
Apetece-me dizer que "é dinheiro a mais" para algo que nem conseguiram ler do que se tratava, aquando da tomada de decisão de atribuição da verba em causa. É lamentável, mormente pelo facto do erro se verificar à porta de uma escola...onde se aprende a ler e a escrever. Acho. 
Claro que o investimento em causa foi - isso sim - elegível. Ou seja, a respetiva proposta de intervenção / execução de obra reuniu condições para ser aprovada (leia-se eleita) pelas entidades competentes, tendo sido, subsequentemente, contemplada com tal verba. 
Para finalizar: em minha opinião, justificar-se-ia a aplicação de um castigo com palmatória ao(s) autor(res) do painel.
E lembro, já agora, que se a Escola (stricto sensu) é um elemento patrimonial a valorizar, também o é, seguramente, a língua portuguesa. 
Perspetiva da Escola, em fase de execução de obras de
reabilitação, promovidas pelo Município de Matosinhos
(Departamento de Investimentos e Infraestruturas Municipais).
O painel informativo em causa.
O "erro de palmatória", na terceira linha.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Divagações sobre um caramanchão...

Um caramanchão constitui uma elemento arquitetónico peculiar, simples na sua conceção e outrora relativamente comum em determinados espaços ao ar livre - quer públicos, quer privados - tendo tanto de decorativo, quanto de funcional (se é que se lhe pode atribuir especial serventia...). Podendo revestir-se de vegetação diversa - com predomínio para determinadas espécies arbustivas e trepadeiras - são (eram...) construídos ora em pedra, ora em ferro, cimento ou madeira. Servem (serviam...) para proporcionar um local aprazível para recreação, descanso, abrigo ou encontro(s)...
Os "ditames do progresso" levaram a que tais elementos, próprios de outros tempos - esses sim, plenos de romantismo e, seguramente, marcados por outros ritmos e quotidianos bem mais salutares - fossem gradualmente banidos das nossas paisagens. Restarão uns quantos (?) exemplares bastante dispersos, ora mais escondidos, ora mais maltratados.
As imagens aqui apresentadas expõem um interessante caramanchão - pouco utilizado, como quase todos - existente na antiga Quinta de Cima (lugar da Igreja Velha, S. Mamede de Infesta), posteriormente conhecida por Quinta de Honório de Lima, já que o seu mais afamado proprietário foi Eduardo Honório de Lima (1856-1939), figura prestigiada da cidade do Porto, comerciante e industrial proeminente e apreciador das artes e do bel canto.
Neste espaço se viria a instalar posteriormente o Parque Urbano de S. Mamede de Infesta e, ainda, um complexo de piscinas municipais.
E o caramanchão "lá está", no extremo do seu parque de estacionamento automóvel e atrás de um extenso conjunto de painéis solares fotovoltaicos.
Perspetiva geral do caramanchão, com estrutura em cimento armado, assente numa base hexagonal de pedra e cimento. 
Pormenor da base do caramanchão e do pequeno "trilho" que o circunda, de inclinação suave, permitindo aceder ao seu interior.